24 de Abril de 2007

Velha infância

Nada melhor que um compasso de espera entre Física e Biologia Vegetal, bem instalados nas cadeiras do C3, para falar da infância. Mais precisamente dos desenhos animados que gostávamos de ver. Do que nós nos fomos lembrar! E tudo começou porque eu, a Raquel e o André começámos a falar das nossas antigas máscaras de Carnaval. Uma coisa leva a outra e acabámos a recordar os anos mágicos das nossas vidas. Quem não se lembra da Rua Sésamo? (para dizer a verdade, já só me lembro com suficiente clareza do Monstro das Bolachas). Então e do Popeye? Tom e Jerry? Navegante da Lua? Power Rangers? (quando aquilo começou até tinha piada) Então e o Dartacão? O Zorro? O Dragon Ball? E muitos, muitos mais...
É certo que não somos do tempo da Heidi (é assim que se escreve?), mas acho que víamos desenhos animados de maior qualidade do que aqueles que os miúdos vêem hoje em dia. É certo que alguns daqueles mencionados envolvem alguma violência, mas não se comparam com aqueles que existem agora!! É que ainda por cima, os que tenho visto não têm propósito nenhum!! A maioria dos desenhos animados actuais são baseados em combates de robôs esquisitos que afinal são tazos ou então carros todos muito futurísticos, os quais têm uma espécie de vida própria quando postos a competir. Não sei se se trata realmente de algo assim, mas é isto que eu entendo daquilo. Outros muito estúpidos são aqueles com bonecas desproporcionais, que ao que parece são as rainhas da moda. Ou eu estou a ficar velha, ou a infância das crianças já não é o que era! O pior de tudo não são os desenhos animados, porque nós também víamos coisas muito disparatadas (ainda que em menores proporções), o pior é o facto das crianças já não saírem à rua! Eu lembro-me das tardes passadas com o meu primo, no meio da horta do meu avô, montados nas nossas bicicletas (que na realidade eram veículos altamente sofisticados, tipo nave espacial, mota supersónica ou zord à power ranger), munidos de paus (espadas, bastões raio-laser, etc) ou então a subir às árvores (que eram na realidade bases ultra-secretas onde nos protegíamos dos inimigos ou descansávamos depois de salvar o mundo, à espera de mais um pedido de auxílio). Como podem ver, havia imaginação!! O facto de ter passado a minha infância no campo facilita as actividades ao ar livre, mas mesmo as crianças da cidade saíam à rua e imaginavam estas coisas, mais que não fosse nos parques infantis! Nos dias de hoje os miúdos só querem gameboys, ps#(escolham o nº que + gostarem) e jogos de computador. Nós também tínhamos disso (não somos assim tão velhos), mas usavamo-lo com conta e medida. Hoje já vem tudo feito, as meninas já não sabem fazer vestidos para as bonecas, os meninos já não sabem improvisar carrinhos. Já não se brinca com animais, chegando ao cúmulo de encontrar miúdos com medo de formigas!
Meus amigos, ou é de mim ou isto vai de mal a pior...

[não tem muito a ver com este assunto, mas quando me lembrei do título não pude deixar de pensar nesta música]