4 de Julho de 2009

caixas e caixinhas

E pronto. Em hora e meia se arrumam três anos de vida. Engraçado como dá para perceber a irrelevância dos bens materiais. Entre roupa, papelada da faculdade e tralhas que acumulei em 3 anos de curso, tudo se arruma em pouco tempo. São caixas e sacos que se enchem com a maior das facilidades.
Os momentos, as experiências, os sentimentos, esses não consigo arrumar. Pelo menos não ainda. Tenho lugar para eles todos no coração, mas não consigo empacotá-los em caixas e mandá-los de volta para casa.
Devia estar feliz por estar a acabar o curso. Devia estar feliz por estar a voltar para casa. Mas não. Não consigo. Por agora só consigo sentir o chão a desaparecer. Flutuo na incerteza do futuro que me espera, nas esperanças dos sonhos por realizar.
Preciso de respirar. Preciso de férias. Preciso de me encontrar.

5 de Junho de 2009

Cheira a terra molhada.



Cheira a vida nova.

1 de Junho de 2009

Porquê?

Porque é que a vida é tão injusta?

Porque é que não vivemos todos num conto de fadas onde os maus são castigados e os bons são felizes para sempre?

22 de Maio de 2009

Reviravoltas

Sexta-feira.

Chegar a casa.

Ver os e-mails.

Trabalho para entregar adiado (uff!).

Discografia do Yann Tiersen a tocar.

Dormir.

Em sonhos esqueço o cansaço acumulado e as toneladas de trabalho ainda por fazer. Esqueço o stress da época de exames que se aproxima e a preocupação com as candidaturas a mestrados.

Não chega. Nada parece ser suficiente para aliviar anos de sofrimento disfarçado. E tudo descamba mais uma vez. As feridas voltam a abrir-se e as lágrimas caem como chuva em dia de tempestade.


Sábado.

O dia começa cinzento. As nuvens encobrem o sol e o ar gélido traz à memória as feridas por sarar.

Ainda há pessoas capazes de nos surpreender, capazes de ser aquilo que gostaríamos de ser e muito mais. Poucas palavras dizem tudo, e as nuvens começam a ser levadas pelo vento, devagar, devagarinho.

No fim tudo acaba da melhor forma, com muita gargalhada, muita história para contar.


Domingo.

Quase já nem lembro os dias cinzentos, as palavras amargas, os rios de lágrimas. O sol brilha sem qualquer constrangimento.

Nada podia ser melhor. Nada.

Chegar a casa.

Ver os e-mails.

Dormir.

E tentar esquecer que amanhã é segunda-feira e o pesadelo recomeça.

Esperança, vontade, fé.

17 de Maio de 2009

Colapso

Sinto-me à beira do abismo, muito perto do colapso total. Nunca foi tão difícil suportar o stress. Ao fim de dias e dias de esforço contínuo, de noites e noites mal dormidas de tanta preocupação, o corpo não aguenta e alma muito menos.
Por isso tento ocupar cada espacinho livre com coisas de que gosto, com pessoas de quem gosto. O stress deixa-me mais frágil, mais sensível, mais irritadiça e rabujenta. Ora a mistura de tudo isto só pode ter resultados catastróficos que se reflectem nas relações com as pessoas que me rodeiam.
Não tenho qualquer dúvida de que sem os amigos que tenho já estaria internada. Mas infelizmente, são também eles que acabam por sofrer com a minha falta de descanso, tendo que aturar todo o meu mau humor.
A sério, eu sou boa pessoa. E os amigos devem saber isso, ou deviam, pelo menos. Mas a minha vida não é tão fácil como eu a consigo fazer parecer e neste ponto já não consigo disfarçar o cansaço. Nem controlar tão bem as oscilações de humor e as minhas fragilidades.
Por isso, perdoem-me, por favor.

menina mulher

Tenho 20 anos e a noção de que ainda sou uma miúda. Que mais poderia eu ser com esta idade? Ainda que às vezes pareça mais madura que muitas pessoas da minha idade, a verdade é que ainda sou uma miúda inexperiente e ingénua. E esse facto não me incomoda nem um bocadinho, excepto quando não me levam a sério. Revolta-me profundamente que as pessoas ignorem as minhas opiniões ou as aceitem com desdém, com aquela atitude de "Que sabes tu da vida para estar a falar?". Não digo que não tenham uma certa razão. É claro que não posso saber tanto da vida como uma pessoa de 50 anos, mas acho que ainda assim mereço ser ouvida. Será que nunca ocorreu a estas pessoas que talvez eu saiba um pouquinho mais do que elas em certos aspectos? Irrita-me ainda mais quando as pessoas não levam a sério o que faço, o que gosto. Não escolhi ser médica nem engenheira, mas acredito que o que estudo é igualmente importante. Mas pouca gente acha isso. Pouca gente dá valor ao que tenho de passar para estar onde estou. Pouca gente acredita que eu algum dia venha a ter futuro. Talvez tenham razão, talvez não. Que direito têm essas pessoas de julgar a minha vida, a minha opção, a minha paixão, o meu esforço e dedicação? E nestas alturas, em que me apetece defender com unhas e dentes aquilo que sou e em que acredito, sinto-me adulta. Sinto que deixei de ser a menina frágil que era e me tornei numa mulher segura e determinada.
Apesar de toda a segurança que aparento ter na pessoa que sou e nos meus conhecimentos, já não é a primeira vez que sinto que ainda não me apercebi do quanto cresci, da mulher em que me tornei. Ainda me faz um bocadinho de confusão quando me tratam por "senhora" ou quando recebo um piropo qualquer e me apercebo que, apesar de não ser nenhuma femme fatale, me tornei numa mulher bonita.
Quero ser, e talvez até já seja, uma mulher, mas ainda me sinto muito menina.

flaw

Tenho grandes defeitos, dos quais não me orgulho nem um bocadinho, e que tento combater com todas as minhas forças, ainda que infrutiferamente.
Um deles é criar grandes expectativas em relação às pessoas, especialmente em relação àquelas de quem gosto muito. Há pessoas na minha vida por quem eu nutro grande admiração, pessoas de quem gosto genuinamente, verdadeiros amigos. E o meu erro é sempre o mesmo: colocar essas pessoas num pedestal. Na minha visão inconsciente da realidade essas pessoas são tão especiais que não podem errar.
Ora, é mais do que óbvio que as coisas não funcionam assim. Ninguém é perfeito, nem mesmo as melhores pessoas que conheço. Por isso mesmo, há dias em que até mesmo essas pessoas me desiludem. Quando me perguntam "Estás chateada comigo?", a resposta é sempre a mesma: "Não, estou triste.". E fico triste, verdadeiramente triste, daquelas tristezas que corroem o coração até não sobrar nada para destruir.
Triste, primeiro com a pessoa e depois muito mais comigo mesma, porque grande parte da tristeza que sinto é culpa minha. Porque fui estúpida e ingénua a ponto de achar que conseguia prever cada acto, cada palavra, cada atitude dessa pessoa e que jamais me iria desiludir.
Sinto-me parva e infantil, estúpida e irritante, menina mimada. E sei que não sou nada disto e por isso fico brutalmente revoltada comigo própria, por cair sempre na mesma teia e não conseguir controlar o que sinto e a maneira como me comporto. Sem qualquer margempara dúvida posso dizer que me odeio nesses momentos, porque acabo por ser tudo aquilo que me repugna.

14 de Abril de 2009

future part 2

Aqui há uns anitos atrás, algures no 9º ano, lembro-me de fazer os tão famosos testes psicotécnicos. Um deles consistia em escrever "Como me vejo daqui a 10 anos". Já não sei precisar tudo o que disse na altura mas lembro-me vagamente de mencionar que seria uma médica bem sucedida, com independência financeira e família formada.
Ora vejamos, passaram quase 6 anos e onde estou eu agora?
Desisti da ideia da medicina algures no secundário, quando descobri outros interesses na minha vida. Este ano sou finalista de Biologia, mas estou longe de ser bem sucedida, na medida em que ainda espero ter um mestrado pela frente e arranjar trabalho não vai ser nada fácil. Independência financeira... ui, tão longe disso ainda! Quanto à família... eu nem sequer tenho namorado quanto mais marido e filhos!
Que lição tirar disto tudo?
A vida nem sempre corre como planeado. Os nossos planos são sempre baseados na pessoa que somos no momento em que os fazemos. E isso é coisa que está sempre a mudar. Por isso é natural que as coisas fujam do previsto. Hoje consigo ver como fui ingénua, mas na altura tudo parecia bater certo. E o mesmo vou pensar daqui a uns anos de qualquer ideia sobre o futuro que tenha agora.
Fazer planos pode ser útil se ajudar a estabelecer metas, mas não se pode fazer disso uma obcessão. Há que deixar a vida tomar o seu próprio rumo. Não estou a dizer que as coisas se encaminham sozinhas, mas às vezes é preciso abrir a mente a novas soluções, mesmo que se afastem das ideias predefinidas que tínhamos para nós.
A vida não permite fazer rascunhos, o que está feito, feito está, mas há sempre hipótese de começar um novo capítulo.
Por isso, não faço a mínima ideia de onde estarei daqui a 5 anos. Eu nem sei o que vai ser de mim amanhã, quanto mais daqui a 5 anos. Certezas não tenho nenhumas, tudo o que tenho são esperanças. Mas isso... isso fica para outra altura.

5 de Abril de 2009

future

















... to be continued ...
(daqui)

9 de Março de 2009

Inveja... inveja

A inveja é realmente uma coisa muito feia. A famosa dor de cotovelo não fica nada bem a ninguém e as pessoas deviam pensar seriamente duas vezes antes de abrirem a boca para falar mal dos outros.
Não vou ser hipócrita e dizer que nunca desejei estar na pele de outras pessoas, ter o que têm ou conseguir o que conseguem. Querer ser melhor em determinado aspecto não é necessariamente mau desde que não prejudique os outros. Agora alguém ter a lata de vir reclamar por isto ou por aquilo só porque, bem lá no fundo, está verde de inveja, isso é feio, muito feio.
É óbvio que existem e sempre hão-de existir pessoas melhores do que nós em determinados aspectos. É duro, custa um bocado, mas a vida é assim. Conformemo-nos com aquilo que somos capazes de fazer ou então esforcemo-nos por atingir o nível dos outros, por mérito próprio. É desagradável e de muito mau gosto criticar os outros e tentar prejudicá-los só porque conseguiram chegar mais longe do que nós em menos tempo. Cá para mim ou se encaram as coisas com um espírito competitivo saudável ou então mais vale ficar quieta num canto. Meus amigos, querendo ou não querendo, somos o que somos. Se os outros são melhores do que nós, paciência. Havemos de ter outras qualidades. A inveja não leva a lado nenhum. E é coisa feia, muito feia!

18 de Fevereiro de 2009

Duas caras

Toda a gente tem duas caras. Chamemos-lhes cara boa e cara má. Somos hipócritas o suficiente para jurar a pés juntos que a cara boa é a única que temos. É essa que gostamos de mostrar ao mundo, é essa que nos orgulhamos de exibir, é essa que serve de máscara para tudo o que queremos esconder. Mas a má está lá, sempre presente. Exactamente por detrás da cara boa, à espera ansiosamente pelo momento que nos faz perder o controlo, que nos faz largar os cordelinhos que seguram as aparências. Por muito bons que nos julguemos ser, todos sabemos das nossas fraquezas. Não fazemos questão de as ostentar perante o mundo, mas fazem parte de nós.
Podem perguntar-me: qual delas é que nos define? Pois bem, nem uma nem outra. Mas sim as duas. Viver cada dia é como subir para cima de uma balança. Num mundo simétrico, nós somos o desvio ao equilíbrio. E mesmo esse desvio não é o mesmo todos os dias. Há dias em que pendemos para um lado... e há outros em que caímos para o lado oposto. Não podemos subtrair nenhuma das partes, caso contrário não teríamos forma de tentar voltar ao equilíbrio. Esta busca incessante dá-nos a oportunidade de tentar ser o melhor possível a cada dia.

17 de Fevereiro de 2009

E depois de muito esforço, depois de muitas noites mal dormidas, depois de muitas maratonas na faculdade, eis que o 1º semestre finalmente acaba. E eis que começa um novo...
Férias? Esse suposto período de descanso foi passado a dar o litro para a cadeira que mais nos atormentou a vida... Mas pronto, como a desgraça não pode durar para sempre, estamos livres!
É claro que esta semana já temos aulas, é claro que não descansámos nada e vamos estar a morrer não tarda muito... mas por enquanto, somos felizes.
É claro que as cadeiras deste semestre são a doer, é claro que ainda anda tudo de pernas para o ar a tentar assentar horários, mas há que não esquecer: a época de avaliações acabou, não há exames até Junho, logo somos felizes.

(Só mesmo para me lembrar disto nos próximos tempos...)
Somos felizes...
Somos felizes...
Somos felizes...

11 de Fevereiro de 2009

teardrop

Primeiro vem uma pequenina, que se esconde timidamente no canto do olho. Depois começa a encher-se de confiança até exceder a capacidade do olho e liberta-se. Uma lágrima. Caminha lentamente, salgando cada milímetro de pele. Mas não vem sozinha. Atrás dela vem logo mais uma... e outra... chega a parecer uma corrida. A certo ponto, a corrida tornou-se numa maratona que parece nunca mais acabar. Parece hora de ponta, são umas atrás das outras, que se atropelam e se fundem, formando trilhos intermináveis no caminho tortuoso rosto abaixo.
Já não se sabe por que motivo a primeira se formou. Já não importa. É como um povo revolucionário que sai à rua. Ninguém as consegue parar enquanto não conseguirem o que querem. Um soluço aqui, um soluço ali, para dar mais ênfase à mensagem.
Eventualmente a última acaba por sair e fecha a porta. Atrás dela fica uma sala vazia, sombria, que espera ansiosamente voltar a ter lágrimas para oferecer. Uma a uma, cada uma desempenhou o seu papel. Tão depressa como se libertaram assim são esquecidas, mas não se deixam vencer. Quando menos se estiver à espera, ei-las em reunião mais uma vez, a conspirar contra a alma que as carrega.

Cada pequena gotinha transporta um pedacinho de cada um de nós.




27 de Janeiro de 2009

Farta... tão farta

Estou farta de ser a última na lista das prioridades de toda a gente.
Estou farta de tentar ser a melhor pessoa que posso e ninguém reconhecer isso.
Estou farta de dar tudo de mim e receber muito pouco em troca.
Estou farta de ser a boazinha da história e só receber facadas.
Estou farta de ser esquecida.

Eu não obrigo ninguém a gostar de mim. A sério, todos são livres de ir embora quando quiserem. Mas será que dá para ser avisada? Será pedir muito? A única coisa que peço é respeito, o mínimo de consideração.

Eu não sou descartável. Se já não tenho lugar na vida de alguém, ao menos que esse alguém tenha a coragem de dizer adeus.

20 de Janeiro de 2009

demons & ghosts

A cada dia que passa, eles estão lá. Há dias em que não os vemos, ou talvez apenas consigamos ignorá-los, mas eles estão lá. Os nossos demónios. Os fantasmas do passado, que teimam em assombrar cada instante do presente e, se não os conseguirmos controlar, pôr em risco o futuro. Gostamos de dizer que são "águas passadas" e que "tudo o vento levou", mas não passa de uma máscara que colocamos todos os dias, que nos ajuda a esquecer a sua presença. Todos os dias, quando pensamos em dar um passo em frente, eis que eles aparecem, matreiros, a espreitar por detrás do ombro, com o seu sorriso maléfico, a sussurar-nos ao ouvido que não somos capazes. Toda uma vida nos atormentam. Cada dia que passa é uma batalha constante contra o medo que nos impõem. E sempre que pensamos que estão mais fracos, que a guerra está quase ganha, há uma qualquer situação que os faz ganhar força e volta tudo à estaca zero. Será que algum dia os vamos conseguir vencer?

9 de Dezembro de 2008

Todas as manhãs, por volta das 7h05 passa por mim um grupo de senhores, à saída da estação, que me faz uns olhares devoradores, como se de um naco de carne se tratasse. Não raras vezes proferem um qualquer tipo de grunhidos na minha direcção, que podem muito bem corresponder a palavras, não muito ortodoxas, suponho eu, noutra língua que desconheço. Ora, ou eu não tenho noção do meu efeito nos homens, ou este comportamento é deveras doentio. Ainda que fosse de alguma forma positivo para mim acreditar na 1ª hipótese, acho que estou mais inclinada para a 2ª, até porque acho que não encaixo no conceito de "gaja boa".
Eu até gostaria de apelar aos senhores para que não mais se dirigirem a mim desta forma, mas tenho algum receio que qualquer som que saia da minha boca possa ser interpretado como sinal de ataque "à febra". Logo, a única solução que encontro é passar por estes pouco respeitosos senhores da forma mais rápida que conseguir, de preferência tentanto ignorar a sua presença.

E assim começam todos os meus dias... Não, não era suficientemente mau acordar às 6h15.

3 de Dezembro de 2008

Por minha culpa, minha tão grande culpa...

Por muito que me esforce, as palavras que escrevo não são as mesmas que penso. Assim que as escrevo, todo o seu siginificado parece ser distorcido, como se de outra dimensão se tratasse, como se de outra língua fizessem parte. Não passa de uma combinação de letras, de forma mais ou menos aleatória, à qual foi atribuído um som que as nossas cordas vocais conseguem produzir. Ainda assim, é impressionante como uma coisa aparentemente tão simples gera tanta confusão.

Há dias em que penso que a escrever conseguimos expressar mais facilmente o que sentimos. Sempre achei que funcionasse assim comigo. Parece que não. Definitivamente não. Ao que parece, quando retiradas do contexto do meu pensamento, todas as palavras que possa dizer ganham um sentido completamente oposto. Sempre achei que devia ser franca, justa, sincera com o mundo. Chamar as coisas pelos nomes, pôr os pontos nos is, para que jamais alguém me acusasse de não ser honesta, de fazer promessas que não cumpro, de fazer de conta que sou outra pessoa. Já me bastavam as promessas feitas involuntariamente, as palavras atiradas à queima-roupa que não deviam sequer ter saído da boca... Mas não. Agora também aquilo que digo depois de pensar no assunto, de escolher com cuidado as palavras, também isso é virado do avesso. Também isso magoa.

Há um ditado qualquer que diz que uma palavra dita é como uma seta lançada. Já não há nada a fazer. Já não se pode voltar a trás. Nunca isto foi tão verdade. Depois de o mal estar feito, não há desculpas que alguma vez consigam compensá-lo. São inúteis quaisquer tentativas de rectificar o mal-entendido. Estar arrependido parece ser apenas a penitência que a nossa consciência decidiu cumprir, numa vã esperança de se lembrar de não cometer o mesmo erro outra vez.

Desculpa.

18 de Novembro de 2008

Inspiração (ou não)

Cheguei à conclusão que só tenho inspiração para escrever quando estou no fundo do poço (sentido figurativo, claro!) ou perto disso.

Quando estou feliz nada me vem à cabeça para escrever. Podia partilhar com o mundo as razões dessa felicidade, mas isso seria esfregar na cara das pessoas que eu sou feliz e elas não. Eu sei que não é assim, que também hão-de existir mais pessoas felizes na mesma altura que eu, mas é assim que me sinto. Sinto que estou a espetar uma faca nas costas de quem sofre. Supostamente, a minha felicidade devia ser a esperança que lhes faltava de que o mundo pode ter coisas boas. Mas na prática, isso só lembra o quão mal está a pessoa que lê o que escrevo.
Toda a gente gosta de estar feliz, mas ninguém gosta de pessoas felizes. Porque nos irritam, porque nos lembram tudo o que queríamos mas não conseguimos, porque se tornam aborrecidas com tanto bom-humor e positivismo.

Quando estou mal parece que há uma revolta interior que me impele a gritar aos sete ventos quão injusto é o mundo. Escrever é o desabafo de quem precisa de partilhar com alguém todas as tristezas, angústias e frustrações. Por muito mau que possa parecer, é como se procurasse alguém que sofra tanto como eu. Alguém que conheça as minhas queixas, alguém que me diga que não estou sozinha. Acho que, no fundo, também procuro alguém que me dê esperança, que me lembre que a fase má não vai durar para sempre.
Longe vão os tempos dos diários perfumados fechados a cadeado. Hoje, graças às tecnologias, os diários são virtuais. Virtuais, antes fossem os problemas, as dores, as injustiças... Há coisas que nunca mudam...
Toda a gente simpatiza com pessoas tristes e deprimidas. Porque toda a gente já passou por isso e sabe o que custa, porque é mais fácil queixarmo-nos do mundo do que apreciá-lo.

10 de Novembro de 2008

Soundtrack of the day

8 de Novembro de 2008

"...É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer porque
no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto
como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo...
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir o meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesmo, mas concerteza não serei o mesmo pra sempre"

Clarice Lispector

Ontem mandaram-me este texto e não consegui deixar de partilhá-lo. Quanto aos outros não sei, mas este texto é o retrato da minha vida.