Tenho grandes defeitos, dos quais não me orgulho nem um bocadinho, e que tento combater com todas as minhas forças, ainda que infrutiferamente.
Um deles é criar grandes expectativas em relação às pessoas, especialmente em relação àquelas de quem gosto muito. Há pessoas na minha vida por quem eu nutro grande admiração, pessoas de quem gosto genuinamente, verdadeiros amigos. E o meu erro é sempre o mesmo: colocar essas pessoas num pedestal. Na minha visão inconsciente da realidade essas pessoas são tão especiais que não podem errar.
Ora, é mais do que óbvio que as coisas não funcionam assim. Ninguém é perfeito, nem mesmo as melhores pessoas que conheço. Por isso mesmo, há dias em que até mesmo essas pessoas me desiludem. Quando me perguntam "Estás chateada comigo?", a resposta é sempre a mesma: "Não, estou triste.". E fico triste, verdadeiramente triste, daquelas tristezas que corroem o coração até não sobrar nada para destruir.
Triste, primeiro com a pessoa e depois muito mais comigo mesma, porque grande parte da tristeza que sinto é culpa minha. Porque fui estúpida e ingénua a ponto de achar que conseguia prever cada acto, cada palavra, cada atitude dessa pessoa e que jamais me iria desiludir.
Sinto-me parva e infantil, estúpida e irritante, menina mimada. E sei que não sou nada disto e por isso fico brutalmente revoltada comigo própria, por cair sempre na mesma teia e não conseguir controlar o que sinto e a maneira como me comporto. Sem qualquer margem para dúvida posso dizer que me odeio nesses momentos, porque acabo por ser tudo aquilo que me repugna.
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