Aqui há uns anitos atrás, algures no 9º ano, lembro-me de fazer os tão famosos testes psicotécnicos. Um deles consistia em escrever "Como me vejo daqui a 10 anos". Já não sei precisar tudo o que disse na altura mas lembro-me vagamente de mencionar que seria uma médica bem sucedida, com independência financeira e família formada.
Ora vejamos, passaram quase 6 anos e onde estou eu agora?
Desisti da ideia da medicina algures no secundário, quando descobri outros interesses na minha vida. Este ano sou finalista de Biologia, mas estou longe de ser bem sucedida, na medida em que ainda espero ter um mestrado pela frente e arranjar trabalho não vai ser nada fácil. Independência financeira... ui, tão longe disso ainda! Quanto à família... eu nem sequer tenho namorado quanto mais marido e filhos!
Que lição tirar disto tudo?
A vida nem sempre corre como planeado. Os nossos planos são sempre baseados na pessoa que somos no momento em que os fazemos. E isso é coisa que está sempre a mudar. Por isso é natural que as coisas fujam do previsto. Hoje consigo ver como fui ingénua, mas na altura tudo parecia bater certo. E o mesmo vou pensar daqui a uns anos de qualquer ideia sobre o futuro que tenha agora.
Fazer planos pode ser útil se ajudar a estabelecer metas, mas não se pode fazer disso uma obcessão. Há que deixar a vida tomar o seu próprio rumo. Não estou a dizer que as coisas se encaminham sozinhas, mas às vezes é preciso abrir a mente a novas soluções, mesmo que se afastem das ideias predefinidas que tínhamos para nós.
A vida não permite fazer rascunhos, o que está feito, feito está, mas há sempre hipótese de começar um novo capítulo.
Por isso, não faço a mínima ideia de onde estarei daqui a 5 anos. Eu nem sei o que vai ser de mim amanhã, quanto mais daqui a 5 anos. Certezas não tenho nenhumas, tudo o que tenho são esperanças. Mas isso... isso fica para outra altura.
2 ecos:
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