E cá estou eu, de férias. Já ultrapassei a fase em que não acreditava bem que não tinha exame nenhum para fazer ou trabalhos para entregar. Estou de regresso ao Algarve, para grande alegria da minha mãe, que tem agora mais uma filha para chatear. E pronto, a pedidos de muitos (uma única pessoa para dizer a verdade), cá estou eu a postar sobre a coisa mais imbecil que me veio à cabeça. Isto porque o meu cérebro também tira férias e nesta altura as ideias escasseiam.
Podia falar dos movimentos voluntários do meu rato (o do computador entenda-se), que muito me têm preocupado ultimamente.
Podia falar da minha incapacidade de escrever palavras terminadas em -mente sem substituir o sufixo por /, ou do infeliz hábito de escrever q em vez de que, tudo resultado de ter passado os últimos meses a escrever apontamentos. E o pior é que dou por mim a escrever coisas desras nos exames e às tantas tenho a frase toda riscada porque me esqueci de escrever como deve ser.
Podia falar de como estou a resistir aos terríveis hábitos enunciados acima e como vou fazer um esforço para continuar assim.
Podia falar da minha revolta contra a programação de Verão e da aversão que os canais (principlamente a SIC e a TVI) têm a passar coisas de jeito a horas decentes.
Podia falar das noites frias dos últimos dias, ou do prison break à moda portuguesa, ou das especulações estúpidas dos jornalistas acerca do caso Maddie...
... mas não.
Lembrei-me de um tema muito mais aborrecido, que é para condizer com o espírito preguiçoso das minhas férias. Deixo os outros temas para, quem sabe, um outro dia, de melhor inspiração ou sanidade...
Ora aqui vai.
Conhecem aquele tipo de pessoas muito, mas muito deprimentes que têm por hábito guardar recordações de tudo quanto é sítio ou pessoa? Tipo bilhetes, cartas, fotos... Eu sou uma delas. É verdade. Mas aposto que não é uma grande surpresa. Com tanto post a falar do passado e das minhas memórias, tava-se mesmo a ver que eu era uma destas pessoas.
Não que este facto me desculpe, mas a dificuldade em desfazer-me das coisas que já não servem para nada é de família. Não sei qual é o gene responsável, mas a verdade é que não sou a única. O meu avô acumula sucata; o meu pai acumula ferramentas e objectos que comprou na esperança de que fizessem falta, mas que ainda não saíram da embalagem; a minha mãe a minha avó coleccionam bonequinhos de louça horrendos que não combinam com a restante decoração, já para não falar das toalhas com manchas amarelas e a cheirar a mofo que nunca foram utilizadas ou dos serviçoes de chá só para enfeitar. Eu tenho caixas cheias de "recordações". Na sua maioria não passam de papéis soltos, muitos deles já sem qualquer significado, mas que por alguma razão estranha eu não jogo fora.
Hoje, para vosso infortúnio, decidi partilhar algumas das minhas "recordações" convosco.

Esta sou eu, no meu melhor. Não sei ao certo que idade tinha, mas tinha menos de 3 anos de certeza, porque ainda não usava óculos. Aquela minha cara meio assustada devia ser porque não via um palmo à frente do nariz.
Até nem sou muito de ter fotos espalhadas, mas esta tava perdida e achei que mereciam conhecer a mini-eu. E para além disso, a saia de veludo ficava-me a matar.

Isto é simplesmente uma relíquia. É uma carta que me mandaram no tempo da escola primária. Lembro-me que havia uma caixa de correio em papel, na qual depositávamos as cartas e depois eram entregues num dia certo da semana, do qual já não me recordo.
Não tenho muitas cartas, talvez porque tenham ido para o lixo (isto sim é uma fenómeno) ou porque estão perdidas numa qualquer gaveta, mas a maioria tinha desenhos deste género. Era um mundo de princesas e flores e fadas e tretas. Uma história de encantar. Se bem que encontrei uma outra carta em que, em vez de um desenho, tinha juras de amizade eterna e a constatação de que a Catarina era mentirosa. Acreditem, ela era.

Sempre gostei muito de música. Esta pauta era do tempo em que aprendia a tocar flauta na escola. Mas isso só durou 2 anos, ainda que tenha continuado a tocar noutras ocasiões, muito depois disso. Hoje em dia, olho para a pauta e tenho que pensar muito para descobrir qual é a nota que tenho à frente dos olhos.
Ando a prometer a mim mesma que hei-de aprender a tocar guitarra. Não seu quando cumprirei a promessa. Talvez depois de tirar a carta de condução. Mas o que eu gostava mesmo era de saber tocar piano. Talvez um dia...

E quem diria, até no jornal eu apareci... É difícil de ver, mas também não perdem muito se não conseguirem. Este recorte é da época em que eu fazia parte de um grupo de cantares. Era até bastante divertido. Cantava, tocava flauta, usava aqueles chapéus horrorosos que faziam imensa comichão...

E como é obvio, não podiam faltar os cartões de Natal... Este é de alguém que não vejo há muito tempo. Talvez por isso ele ainda exista na minha caixinha de coisas inúteis.

E aqui está um de muitos bilhetes de cinema que guardei sabe-se lá porquê... Este é do Inteligência Artificial. Se bem me lembro, para além de mim, da Luísa e da mãe dela (nem me lembro se ela lá estava) só estavam mais 2 ou 3 pessoas no cinema. Não foi exactamente um filme aclamado em S.B. Messines, ou então não fomos no dia certo. E pronto, aqui recomendo o Cine Teatro João de Deus, que nem sequer me paga pela publicidade...




Como veêm eu guardo tudo o que não serve para nada. Para começar, temos o cartão da escola do 9º ano. Hoje em dia é tudo electrónico, já nem se leva dinheiro para a escola e um só cartão serve de identificação e para os gastos. Vivam as tecnologias! Temos também o horário do 10º ano, que me traz à memória as manhãs de 6ª feira passadas no jardim à espera da aula de filosofia. Temos ainda, imaginem, a minha taxa de açúcar no sangue! Acho que este papelinho apareceu na minha colecção graças a um dia em que os enfermeiros do Piaget nos vieram medir a tensão e a glicémia, num daqueles dias temáticos que as escolas organizam. Enconrei ainda um cartão com nomes de vários cientistas, escrito pelo meu professor de geografia do 9º ano (quem achar o contrário diga-me por favor, uma vez que nem sequer disso eu tenho a certeza). Para dizer a verdade, não faço a mínima ideia porque é que tenho isto, nem porque é que alguém o escreveu.
Mas há mais...


Aqui temos um cartão que recebi no meu aniversário de há uns anos atrás e o bilhete de comboio do dia em que a mesma pessoa que mo deu fez anos. Para além disso achei piada ao nº do lugar.
E agora chegámos aos bilhetes. Tal como faço com os bilhetes de cinema, também guardo os de comboio, especialmente se a data em que os usei tem algum significado especial. Podia contar-vos a história da minha vida (pelo menos a parte recente) somente a partir de bilhetes.

Aqui temos o bilhete de comboio da véspera da minha matrícula na universidade. Foi o início da minha vida fora de casa e das saias da mãe. Só por acaso a minha mãe também ia comigo nesse dia...

Como não podia deixar de ser guardei o bilhete do metro que apanhei para a faculdade. Nunca tinha andado de metro em Portugal até então. Foi um dia memorável. Depois de tanta espera até saber as colocações, de repente a minha vida muda e num só dia experimento dezenas de coisas novas. Diria que foi no mínimo radical.

E finalmente temos o bilhete do barco que atravessa o Tejo. Lembro-me claramente deste dia. Era quinta-feira, já tinha feito a matrícula mas ainda não podia voltar para casa porque ainda me faltava ir tratar dos horários no dia seguinte. Para que eu não ficasse em casa sozinha a minha tia levou-me com ela. Estava de chuva e era dia de greve do Metro, umas das 6 ou 7 que eu apanhei. Como devem imaginar a cidade estava o caos. Um caos maior do que o costume. E eu ali sem nada para fazer. A minha tia foi trabalhar e eu passei o dia a vaguear pelas ruas da Baixa, no meio do frenesim das pessoas cheias de pressa e da música e alegria dos artistas de rua. Não sei se foi por causa deste dia, mas posso dizer que ir passear à Baixa é das coisas que mais gosto de fazer em Lisboa.
E podia pôr aqui muito mais tralha, que é coisa que não me falta. Acho que por hoje chega, não vá eu afungentar a clientela toda de uma só vez...
Para a próxima teremos as músicas da minha vida ou outra coisa igualmente chata de que eu me lembre. Por isso...
"Não percam o próximo episódio, porque nós também não."