17 de Outubro de 2006

"Portugal é o país da UE onde se consome mais fruta e menos gordura"

Hoje li uma noticia que me deixou perplexa: "Portugal é o país da UE onde se consome mais fruta e menos gordura"!!! Não é que a notícia seja má, muito pelo contrário. Mas a minha primeira reacção foi: quem? Portugal?!? Deixa-me lá ler isto outra vez... Não será Portugal o país da UE onde se consome menos fruta e mais gordura? Não, parece que é mesmo o contrário.
Acho que isto reflecte o estado de deprimência em que os portugueses estão, já habituados a ouvir que somos os piores em tudo. Porque se nos disserem que somos os piores, nós nem pensamos duas vezes, longe de nós duvidar de tal coisa... Mas se nos dizem que não estamos assim tão mal, ficamos de pé atrás.
E o mais engraçado foi o que se deu a seguir. Quando cheguei à página onde a notícia estava desenvolvida deparei-me com o seguinte:"Lusos abaixo da média na ingestão de gorduras e açúcar, mas abusam do sal." E eu dei comigo a pensar: Ahhhhh, bem me parecia!! Isto era bom demais para ser verdade. Assim já me soa a verdadeiro...

Como é triste chegar a este ponto... Acho que nós, portugueses, estamos a precisar de uma injecção de alegria e confiança no nosso país. Isto assim não pode ser. Na minha opinião, para elevar o ego, os jornais deviam ser obrigados a colocar uma boa notícia sobre Portugal em cada edição, para ver se percebíamos que nem tudo vai de mal a pior...

Fica aqui a dica...


[para quem quiser ver os detalhes da noticia: www.destak.pt]

15 de Outubro de 2006

E o melhor do mundo são as crianças...

Estar entre crianças é das melhores experiências que se pode ter. É como se, por breves momentos, pudessemos voltar atrás no tempo e ver o mundo com outros olhos. As saudades que eu tenho de ser criança... Saudades de ver o mundo de uma forma simples e pura, saudades de ver nos meus pais um exemplo incondicional a seguir, saudades de achar que tudo o que sonhamos é possível e que tudo terá um final feliz. Ah que saudades das brincadeiras, das gargalhadas sinceras, das bonecas na prateleira, das histórias de encantar, das fotos que hoje nos envergonham, da facilidade com que se era feliz...
Há medida que crescemos, os sonhos desfazem-se como algodão-doce na boca. A única coisa com que ficamos é o sabor de bons momentos vividos e a água na boca a que chamamos saudade. A realidade é bem mais cruel dos que os nossos piores pesadelos e a vida nem sempre termina com um " e viveram felizes para sempre". Os adultos não têm super-poderes para fugir aos problemas, nem são tão perfeitos quanto nós julgávamos. O mundo real, visto sem os filtros da inocência infantil, é duro.
Às vezes pergunto-me se não são as crianças a ver o mundo da melhor forma. Se calhar nós é que filtramos a realidade e passamos a vê-la com base nos nosssos interesses mesquinhos. Se calhar devíamos deixar de lado a nossa mania das grandezas e aprender um pouco mais com as crianças. Aposto que se evitariam muitas das coisas que tornam o nosso mundo um sítio cada vez pior.
O que me preocupa é que, cada vez mais, estamos a contaminar as nossas crianças com os nossos valores distorcidos, os nosso vícios e defeitos. Pergunto-me o que será de uma criança que passa todo o tempo livre em frente a uma tv a ver morangos c/ açúcar e floribellas. E os pais todos satisfeitos, porque assim não têm a casa desarumada nem alguém sempre a incomodá-los. Mal sabem eles, que os seus filhos estão a ser completamente domesticados, no sentido de obedecer ao consumismo de uma forma automática e irracional. Mal sabem eles, que as horas de descanso aparentes sem o barulho de uma criança a fazer asneiras se irão voltar contra eles, no momento em que os seus filhos se tranformarem em adolescentes revoltados. E a seguir teremos adultos perturbados, que saberão educar os seus filhos de forma ainda pior... Chama-se efeito bola de neve.
Acho que é altura de pensarmos no que será o futuro destas crianças e pormos a mão na consciência antes de sermos pais por acidente e não sabermos lidar com isso. Não sou contra series juvenis, sou é contra favoritismos estupidos, obcessivos, que inundam as nossas vidas a um ritmo desenfreado. Tenho uma enorme vontade de ser mãe um dia, mas esta não é a realidade que quero para os meus filhos. Não quero criar escravos da publicidade e do dinheiro nem mentes fechadas para o mundo que as rodeiam. Quero ser responsável pelo nascimento de uma pessoa, não de uma máquina...

9 de Outubro de 2006

Contrastes

Quando se viaja de transportes públicos não podemos evitar ver determinadas coisas que nos fazem pensar. Pode até parecer estranho ouvir isto, mas o comboio ou o metro são óptimos sitios para reflectir e observar pessoas. É um meio riquissímo para quem estuda psicologia, ou simplesmente se interessa pelas pessoas com todas as suas diferenças e semelhanças, como é o meu caso.
Contacto diariamente com todo o género de pessoas: desde os senhores de negócios, com as suas pastas e gravatas àqueles que se assemelham a rufias, traficantes ou drogados... Velhos, novos, gordos, magros, altos, baixos, ricos, pobres, bébés, crianças, adolescentes, adultos, idosos, grávidas, pretos, brancos, amarelos, etc, etc, etc.
Há para todos os gostos, é só escolher. Os seus hábitos também são variados. Há quem leia o jornal gratuito que está à disposição de todos, há quem coma, quem beba, quem ouça música, quem leia, faça sudoku ou palavras cruzadas, sopa de letras ou descubra as diferenças, ou simplesmente, aproveite para passar pelas brasas. Na azáfama das suas vida, poucos são os que reservam uns minutos para olhar para a janela durante a travessia do Tejo, talvez porque já o viriam demasiadas vezes, talvez porque não queiram aceitar a realidade em que a sua vida se transformou, talvez olhar para a rotina os faça lembrar de que todos os momentos são pequenos sacrifícios, que se acumulam ao longo de uma vida... Ou talvez seja apenas por distracção ou porque estavam algures a sonhar acordados... Ou se calhar têm tanta gente à sua frente que nem conseguem vislumbrar a janela ou a porta...
Há também os estilos de roupa, que ilustram a classe social de cada um ou o seu modo de estar na vida. Há as senhoras nos seus conjuntos saia-casaco, ou calça de vinco-casaco, os senhores doutores engenheiros nos seus fatos escuros de gravatas mais ou menos coloridas e camisa branca, os desleixados, os casuais, os adeptos do estilo confortável, os punks, os hippies, os dreads e todos restantes grupos afins...
Depois há a forma como todas estas pessoas interactuam entre si, os grupos que formam. Temos as mães ou os pais com os seus filhotes, por vezes avós e netos, grupos de crianças que se dirigem para a escola logo pela manhã, adolescentes eufóricos e pouco discretos, deixando as suas marcas por onde passam, os universitários trajados, de capa num braço e material escolar no outro, os colegas de trabalhos e as suas discussões sobre os assuntos do dia anterior, os aficcionados pelo desporto, normalmente o futebol, que discutem os resultados mais ou menos favoráveis para o seu clube, e, como não poderia deixar de ser, o célebre e nunca gasto casal d namorados, de mão dada e cheios de ternura, com os seus olhares de cumplicidade e afecto... Resta-me só adicionar o facto de que todas estas pessoas, com todas as suas diferenças, têm um grande aspecto em comum, para além de serem todas da mesma espécie e de se localizarem geograficamente na mesma região do globo: todas elas andam numa correria enorme, sempre de um lado para o outro, numa labuta interminável, de tal forma, que quase não dão pela presença uns dos outros, ou simplesmente se ignoram mutuamente.
Quando se vive numa grande cidade aprende-se a ignorar as pessoas que nos rodeiam, a reduzir os cumprimentos e a simpatia ao menor nível possível, o bastante apenas para exercer um pouco de cidadania.
Mas há alguém que consegue sempre chamar a minha atenção, talvez pela sua maneira de sobreviver a este mundo e tentar superar as suas dificuldades. Falo de um estranho senhor, cego, que passa o seu tempo a percorrer o metro com a sua caixinha de esmolas e o som da sua harmónica. Acho-o extraordinário, por ter tão pouco e parecer fazer melhor uso do que nós, que temos tanto a que não damos valor. Este senhor, cujo nome desconheço, a quem ninguém presta atenção, é capaz de aproveitar as poucas capacidades que tem para lutar pela vida, dando a todos nós uma grande lição de vida. Isto para quem é capaz de lhe oferecer uns breves segundos de atenção, já que esmola é ainda mais difícil...

5 de Outubro de 2006

Das terras onde o sol doira o Tejo pla manhã


Aqui estou, depois de algum tempo sem escrever. Não que não me tenha apetecido fazê-lo por várias vezes. Nos últimos dias imaginei posts acerca dos mais variados assuntos. Mas a verdade é que não tenho escrito porque não tenho tido tempo nem internet...
Com a entrada na universidade a minha vida mudou, pelo menos em termos geográficos... Estou neste momento a postar do Alto do Moinho, perto de Corroios, que fica na margem sul do Tejo. Juntando a minha nova morada ao facto de ter aulas todos os dias, intercaladas com praxes torna-se dificil ter tempo para fazer as coisas que fazia nas férias...
Mas a vida aqui também tem os seus encantos... É um privilégio ver o sol da manhã doirar o Tejo, ou visitar os jardins da Gulbenkian (resta saber se é assim que se escreve), ou passear pela Baixa, por entre pessoas apressadas e artistas de rua...
Por enquanto ainda não tive tempo suficiente para explorar melhor a minha nova cidade. Nem para conhecer muitas pessoas novas ou fazer amizades. Ainda me sinto um pouco turista... Mas as coisas vão melhorando com o passar dos dias. Já conheço um punhado (pequenino) de gente, devido principalmente às minhas aventuras no mundo do caloiros... Pois é, caloiro não é gente, mas existe! Assim sendo não posso dizer que tenha conhecido pessoas, mas sim caloiros... O que não é nada mau, acreditem...
Ainda assim, posso dizer que me sinto bastante sozinha. Não quando estou na faculdade, porque aí consigo sentir-me integrada. Sinto-me sozinha quando vou sozinha para casa, quando lá chego e não tenho ninguém com quem falar ou ir beber um café. Sinto-me sozinha quando a minha rotina se resume somente a um ir e vir da universidade...
Mas como já disse, as coisas vão-se compondo aos poucos. Na maior parte dos dias até já tenho companhia no metro... Quando não se tem muito, uma pessoa contenta-se com pouco...

Resta-me continuar por aqui e sobreviver!